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A luta é de todos – Rachel Maia

Dois verbos andam juntos na trajetória de Rachel Maia, a executiva que já foi CEO da Tiffany & Co, da Lacoste e da Pandora, além de diretora financeira da farmacêutica Novartis. Atuando hoje como consultora em sua própria empresa, a RM Consulting. Em 2020, Rachel foi colunista da Yes We Can da XP Investimentos e explicou a importância do dia 20 de Novembro.

“Sempre acreditei que compartilhar conhecimento faz parte do processo de inclusão. E é por isso que ouço algumas pérolas a respeito do Dia da Consciência Negra não com ouvidos críticos ou julgadores, mas como uma oportunidade de educar algumas pessoas.

Um questionamento típico é: “Para que um dia para celebrar os pretos se não existe um para celebrar os brancos?” Contra fatos não há argumentos, então vamos começar do básico: 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra, relembra a morte de Zumbi dos Palmares, último líder do quilombo dos Palmares, que foi assassinado em 1695 por bandeirantes.

O nome da data, “Consciência Negra”, revela em si o convite: uma reflexão sobre o racismo estrutural e a inserção do negro na sociedade. Isso é essencial em um país que foi o último a abolir a escravidão negra no Ocidente. E que o fez sem oferecer nenhuma reparação às pessoas que tratou com total desumanidade durante séculos.

20 de Novembro é também uma data para valorizar a cultura afro-brasileira. A ideia é trazer o debate para toda a sociedade para que pessoas brancas entendam que é esse racismo estrutural que sempre impediram – e continuam impedindo – que negros tenham as mesmas oportunidades que elas no acesso a bens culturais, estudo e trabalho.

Uma pesquisa recente feita pela Casa Fluminense mostrou que, na cidade do Rio de Janeiro, brancos recebem salários 41,9% mais altos que pretos. Quando se consideram trabalhadores formais e informais, os brancos recebem 75% mais do que pretos e pardos! E isso não é isolado. A realidade no Rio de Janeiro reflete a realidade do país.

Nós, povo negro, sabemos do nosso valor e temos nos empoderado e nos orgulhado cada dia mais, com menos timidez em nos reconhecer pretos ou pardos. Queremos apenas oportunidades iguais. Somos, afinal, uma etnia que representa 54% da população brasileira.

Para termos oportunidade iguais, é preciso um esforço social e coletivo de todas as etnias. Esse “grito de liberdade” necessário para a reconstrução de uma sociedade mais justa tem que partir de gargantas pretas e brancas também. Somos os protagonistas do 20 de Novembro, mas não podemos estar sós. Essa é uma luta de todos.”

Rachel Maia | 2020 | XP Investimentos

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