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#Cafénomia – Comprar um imóvel é a melhor solução?

Se alguém perguntasse para o brasileiro médio “em que investir se as coisas estiverem ruins?” uma parte considerável responderia de imediato “IMÓVEIS”. Em alguns casos, até colocando um tom de emoção na resposta. Porém, esse setor é tão conservador e certo de estabilidade quanto diz a crença popular?

É muito comum que, ao pensar em investimentos no setor imobiliário, as pessoas logo já pensam em ir em uma corretora de imóveis de sua confiança e adquirir um imóvel em uma localização que julga boa. Naturalmente, caso tenham comprado com a intenção de alugar, vão colocar anúncios e procurarão por um locatário, para que assim, conseguirem rentabilizar seu investimento, comumente, vão pensar, pelo menos, no sonhado um por cento ao mês, objetivo mínimo de todo brasileiro médio.

Porém, quanto tempo será que se leva para arrumar algum interessado? Um mês? um ano? Cinco anos? Se você adquiriu o imóvel por um milhão de reais, quantos estão dispostos a pagar dez mil reais de aluguel mensais para se gerar o um por cento ao mês? E quanto a todos os custos que se teve até conseguir alugar? No final, pode-se até ter um imóvel que foi avaliado em um milhão de reais, mas se não conseguir transformar ele de forma minimamente rápida em retorno, seja através de alugueis ou através da revenda, ele realmente vale o quanto foi avaliado? E o mais importante, esse investimento foi realmente seguro?

Após colocar todas as questões que foram levantadas com um exemplo tão cotidiano, podemos ver que a chance de prejuízos e de dificuldade de transformar o investimento em dinheiro retiram parte da segurança do investimento. Porém, existe uma forma de continuar investindo no setor imobiliário, mas sem a mesma dificuldade da liquidez. Esse investimento seria através dos fundos imobiliários.

Os fundos imobiliários são investimentos financeiros que, através da bolsa de valores, se é possível investir em diversos investimentos atrelados ao setor imobiliário com liquidez, muitas vezes, mais alta que o mercado direto e sem todo o processo burocrático dos cartórios. Eles geram renda de alugueis e podem se apreciar com o tempo da mesma forma que o investimento direto no imóvel, porém, por ser um investimento de financeiro negociado em bolsa de valores, a sua liquidez é extremamente maior, chegando a apenas dois dias nos fundos mais líquidos.

Quando falamos de investimento no setor financeiro e pensamos em segurança, inevitavelmente vem um investimento em mente, a renda fixa atrelada a Selic. A Selic é a taxa de juros principal do Brasil e é usada como base para diversos outros tipos de taxas de juros do país. Dado essa relação e o aumento previsto que a Selic terá nos próximos meses, alguns podem se perguntar se ainda vale a pena investir no setor imobiliário, que tem risco, em detrimento de investir na renda fixa que normalmente é mais segura. Essa comparação direta, porém, está equivocada, e um dos motivos para isso é uma das razões pela qual se aumenta a taxa de juros, que é a inflação.

A inflação, que é um resultado do aumento de preços generalizado da economia, em demasia pode causar diversos problemas na economia de um país. Para tentar conter a inflação, o Banco Central aumenta a Selic. Da mesma forma, pelo modo que os contratos de aluguéis são feitos no Brasil, é normal que tenhamos um repasse dessa inflação para os preços dos aluguéis, reajustando os dividendos pagos pelos Fundos Imobiliários, ajudando a proteger seu investimento da inflação.

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

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