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#Cafénomia – Petrobras, mais do que uma questão de preço?

“Mais um aumento no preço dos combustíveis. A Petrobrás repassa todo aumento internacional para os consumidores.” Certo? Certo. Isso é o que a maioria das pessoas no Brasil deve pensar toda vez que é anunciado um aumento no preço dos combustíveis saindo da refinaria da Petrobrás. Mas, a história vai longe de poder ser compilada em tão poucas palavras como no pensamento popular acima. Vamos entender?

A primeira coisa que temos que ter em mente para compreender melhor os fatos é que não existe somente um tipo de petróleo no mundo. Assim como quase tudo, existem diversas qualidades e diferenças no petróleo extraído. Para se compor a mistura ideal para o refino, dado as tecnologias disponíveis no Brasil, importamos pequenas quantidades de outros qualidades físico-químicos, a mistura dos petróleos é chamada de blend. Apesar de parecer estranho, isso é uma prática normal feita em diversas refinarias ao longo do globo, inclusive em países como Estados Unidos e Arábia Saudita. Por conta dessa parte do processo de refino, parte dos custos da empresa são diretamente dependentes dos preços do mercado internacional e da paridade REAL x DOLAR.

Além da complicação do refino do petróleo temos outro componente que afeta o preço da gasolina que é o Etanol. Hoje, a gasolina brasileira é comporta de cerca de 27% de etanol. O que por um lado é feito para auxiliar na redução do preço da gasolina para o consumidor final, por outro acaba auxiliando no aumento dos custos, uma vez que o etanol está nos níveis mais elevados de preço desde 2014.

Posto isso, vemos que os preços dos insumos dos combustíveis possuem uma cadeia mais complexa do que comumente é comentada. Mesmo assim, existem pessoas que se questionam se não seria melhor a Petrobrás assumir a alta dos custos e não repassar o preço para o consumidor, da mesma forma que foi feito no período Dilma.
No período Dilma, o preço artificial dos combustíveis fez com que a empresa arcasse com prejuízos imensos que levaram anos para serem pagos. Se a empresa sofrer com outra crise em suas contas, o efeito do corte nos custos que ela poderá ter que fazer pode impactar milhares de trabalhadores de forma direta e indiretamente, fazendo com que o efeito em cadeia seja desastroso.

Ainda assim, não é o fim do mundo para os brasileiros. Hoje, a Petrobrás ainda deixa de repassar alguns aumentos externos fazendo com que o preço da gasolina seja, aproximadamente, 14% abaixo dos cobrados nos demais países.

Ainda teremos diversas mudanças nos preços dos combustíveis enquanto a alta dos commodities permanecer, porém, se conseguirem manter os preços nacionais menores que os pares estrangeiros, ainda podemos pagar mais barato que o resto do mundo.

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

Entre em contato conosco: (11) 99332-0861 | Rua Amazonas, 439 CJ 45 – São Caetano do Sul XP (ABC) | Av. Ibirapuera, 1753 – XP Moema – SP.

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