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Seis em cada 10 brasileiros que usam carteira digital querem poupar e investir, diz estudo

Estudo do Mercado Pago e da consultoria Trendsity aponta que não é só dar acesso, é preciso ensinar as pessoas a usar as ferramentas digitais financeiras

É inegável a contribuição da pandemia para acelerar a digitalização dos negócios. Mas outro fenômeno também aconteceu nesse mais de um ano e meio: a bancarização das pessoas e o uso cada vez maior de carteiras digitais de pagamento e recebimento. Com o acesso maior a tecnologias financeiras – e aos próprios produtos financeiros, também começou a despontar nas pessoas uma necessidade de aprender mais sobre dinheiro, seja para poupar mais (organizar as contas e fazer sobrar dinheiro) quanto para investir o excedente. São esses os destaques de um estudo do Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, feito pela consultoria especializada em pesquisa de mercado Trendsity.

Segundo o material, apresentado à imprensa nesta terça-feira (19), as carteiras digitais e soluções de pagamento funcionam como uma porta de entrada para atrair interesse e busca de conhecimento sobre produtos e serviços financeiros. Seis em cada 10 respondentes do Brasil (60%) que usam algum tipo de carteira digital disseram ter interesse em poupar e investir.

Essa taxa cai pela metade entre aqueles que não usam carteira digital. Entre os não usuários, o principal interesse é pelos meios de pagamento, que costumam ser a porta de entrada para o sistema financeiro.

A pesquisa revela ainda que 80% dos entrevistados no Brasil acreditam que mais educação e informações sobre serviços financeiros digitais são necessárias e 61% afirmam que há um maior interesse neste tema a partir do uso de carteiras digitais.

O estudo ouviu 4250 pessoas de 16 a 65 anos de cinco países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México. Dentre os respondentes, havia pessoas que já tinham acesso a uma conta digital, outros não; vendedores e consumidores.

Sinais de inclusão

Prova de que a pandemia mudou o comportamento está no dado de que uma em cada quatro pessoas (24%) de todos os países analisados que agora usam carteira digital, começou a utilizá-la depois de março de 2020. Brasil e Argentina têm a maior taxa de novatos: 30% cada.

“O crescimento é impulsionado pelos mais jovens, mulheres e pessoas de nível socioeconômico médio-baixo”, diz Ilton Teitelbaum, representante do Trendsity e professor da PUC-RS.

Ele explica que, no caso das mulheres, o que se pode inferir é que elas estão virando cada vez mais “chefes de família” e ainda precisam dividir as funções de prover o sustento da casa, trabalhos domésticos e cuidado dos filhos. Dessa forma, sobra pouco tempo para aprender a usar o smartphone para serviços financeiros e geração de renda, algo que a pandemia acabou mudando, principalmente pela necessidade de se virarem para conseguir renda.

“Mulheres podem ter acelerado a adoção de carteiras digitais porque viram que precisavam entrar nisso para gerar e receber o dinheiro por produtos que vendiam (gerar renda) ou receber o auxílio emergencial”, acredita Teitelbaum.

De acordo com a pesquisa, um em cada três vendedores (32%) na América Latina começou a utilizar ferramentas digitais de pagamento a partir de março de 2020. No Brasil, a taxa é de 34%Argentina e Colômbia mostram índices de adoção na pandemia ainda mais acelerados: nesses lugares, 50% e 40%, respectivamente, dos respondentes adotaram após março de 2020.

No Brasil, porém, o surgimento do PIX, modo de transferência de recursos instantemente, pode ter tirado, segundo o professor, o ritmo de adoção das carteiras digitais, uma vez que supriu um pouco essa carência por acesso a serviços financeiros do país.

Maior alcance

Para 91% dos vendedores que usam carteiras digitais as opções novas de pagamento os permitiram alcançar mais clientes.

Segundo Gabriela Szprinc, líder de Pagamentos do Mercado Pago, na pandemia, os dados mostraram que os empreendedores se viraram para oferecer diversas formas de pagamento aos clientes, seja maquininha de cartão, PIX, QR Code, link de pagamento e por aí vai. “Mundo digital, vendedores precisaram a aprender a usar as diversas ferramentas disponíveis para não perderem oportunidade de venda”, afirma.

“Vimos que 61% dos nossos vendedores começaram a vender com maquininha em 2021. Muitos aprenderam sobre pagamentos eletrônicos de forma geral, como link de pagamento, QR Code, PIX… não faziam nada disso. Tivemos que correr para oferecer aos vendedores e novas ferramentas”, diz a executiva.

Desafios

Se antes da pandemia, 54,4% dos adultos da região tinham acesso a uma conta bancária, estima-se que, com a necessidade de abrir conta, seja para receber por algum produto vendido ou serviço prestado, ou ainda para ter acesso ao auxílio emergencial, mais de 17% da população sem conta bancária da América Latina ingressou no sistema financeiro em março de 2020, mostra o estudo.

O grande desafio – e oportunidade – é não apenas incluir essas pessoas, como ensiná-las a usar as ferramentas que passaram a ter acesso e até, diz, criar novas ferramentas com melhor usabilidade.

“Digitalização é um caminho sem volta. Mas saber usar tudo isso é o desafio que temos pela frente. Existe uma grande intersecção, transbordamento, entre o que é mundo digital e físico, mas ambos são reais”, diz Teitelbaum. “O desafio é gerar uma dinâmica inclusiva por meio de acesso e uso de ferramentas digitais. Acesso a algum tipo de conta e depois ensinar as pessoas a usar e entender o mundo que podem habitar”, completa.

O acesso à internet e espaço (memória) no smartphone é um desses desafios. Gabriela Szprinc explica que é um desafio até para o aplicativo do Mercado Pago e Mercado Livre, que precisam ser “leves” e não ocupar muita memória nos celulares para atender à demanda de boa parte dos clientes. Além disso, não se trata só de oferecer a ferramenta, mas incluir as pessoas, ensinando-as a usá-la a seu favor.

“A inclusão e educação financeira é mais do que inclusão. Não é só convidar para a festa, mas chamar clientes para dançar. A responsabilidade grande que temos como empresa e fintech é também ensinar a dançar. Se o usuário nunca dançou na vida, será que ele sabe dançar? Será que eu não tenho que educá-lo, ensiná-lo. Esse estudo trouxe mais luz sobre a responsabilidade que a gente tem”, afirma a executiva.

Fonte: Valor Investe | Imagem: Getty Images

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